Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho apresentaram propostas, mas encontro teve pouco confronto programático e não produziu um vencedor claro. O debate entre Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho, realizado na noite de sexta-feira (4), em Cajazeiras, teve propostas sobre infraestrutura, saúde e desenvolvimento, mas foi marcado pela falta de firmeza dos três candidatos ao Governo da Paraíba e por um confronto programático limitado. Embora tenham reservado espaço na agenda para se preparar para o encontro, os candidatos tiveram dificuldade para transformar suas propostas em argumentos capazes de marcar diferenças claras entre os projetos apresentados. Lucas concentrou parte de sua participação em estradas e infraestrutura. Cícero defendeu maior proximidade dos serviços de saúde com a população. Efraim destacou as energias renováveis como alternativa para o desenvolvimento do estado. Os temas são relevantes, mas o debate avançou pouco sobre como cada proposta seria executada e quais seriam seus efeitos concretos. Também faltaram questionamentos mais incisivos. Os confrontos raramente obrigaram os candidatos a explicar com profundidade posições, alianças, administrações anteriores ou diferenças entre seus projetos para a Paraíba. Firmeza, nesse caso, não deve ser confundida com agressividade. Um debate eleitoral não precisa de brigas ou ataques pessoais para ser intenso. Precisa de candidatos capazes de sustentar posições, questionar adversários e apresentar propostas de forma clara e convincente. Nesse aspecto, os três ficaram abaixo do que o encontro poderia oferecer ao eleitor. O debate transcorreu sem grandes incidentes, mas também sem momentos capazes de estabelecer um protagonista ou produzir diferenças políticas mais nítidas. Para quem esperava conhecer melhor os projetos dos candidatos, o resultado foi um debate de pouca intensidade. Lucas, Cícero e Efraim chegaram com propostas, mas faltaram aprofundamento, firmeza e capacidade de convencimento para transformar o encontro em um confronto efetivo de ideias. Da redação, O norte
Debate em Cajazeiras expõe falta de firmeza dos candidatos
Lucas aposta em imagem de renovação, mas trajetória está ligada a uma das famílias mais tradicionais da política paraibana
Campanha aposta em juventude, futuro e continuidade, enquanto governador construiu carreira dentro de um grupo familiar presente há décadas no poder Lucas Ribeiro (PP) tenta associar sua campanha ao Governo da Paraíba a uma ideia de futuro, juventude e continuidade administrativa. No guia eleitoral de 2026, afirma que o Estado entrou em uma nova etapa e que o desafio é fazer os resultados do governo chegarem de forma mais direta às famílias, com destaque para saúde, segurança, emprego e oportunidades para os jovens. A imagem de renovação convive, porém, com uma trajetória diretamente ligada a uma das famílias políticas mais tradicionais do Estado. Lucas é filho da senadora Daniella Ribeiro, sobrinho do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e neto de Enivaldo Ribeiro, ex-prefeito de Campina Grande e ex-deputado federal. Sua ascensão política também foi rápida. Lucas passou pela Câmara Municipal de Campina Grande, ocupou cargos no Executivo municipal, foi vice-prefeito, vice-governador e assumiu o Governo da Paraíba em abril de 2026, após a saída de João Azevêdo para disputar o Senado. A origem familiar, por si só, não invalida sua experiência nem permite concluir que sua carreira resulte apenas desse vínculo. Cria, no entanto, um contraste político com a tentativa de apresentá-lo como expressão de uma nova geração. Há ainda outro desafio. Lucas reivindica os resultados do governo João Azevêdo e apresenta sua candidatura como continuidade do atual projeto, mas precisa, ao mesmo tempo, convencer o eleitor de que uma eventual nova gestão terá identidade própria. Esse é o principal ponto de tensão de sua campanha. Lucas procura ocupar simultaneamente dois espaços: o de sucessor de um projeto político consolidado e o de representante de uma nova fase. A disputa deverá mostrar se a mensagem de futuro será suficiente para diferenciá-lo do grupo que o levou ao governo ou se o eleitor enxergará sua candidatura principalmente como continuidade de uma estrutura política já estabelecida. Da Redação, O Norte.
Efraim reforça discurso de direita após alianças com governos do PSB
Candidato do PL prioriza segurança, combate ao crime e defesa da família, mas trajetória política inclui apoio a Ricardo Coutinho e João Azevêdo Efraim Filho (PL) busca consolidar sua candidatura ao Governo da Paraíba com um discurso centrado em segurança pública, combate ao crime e defesa da família. A estratégia reforça sua identificação com o eleitorado conservador e com pautas associadas ao bolsonarismo, mas contrasta com alianças que o senador manteve com governos do PSB no Estado. O histórico não significa que Efraim tenha sido um político de esquerda. Sua trajetória passou pelo PFL e pelo DEM, legendas situadas à direita e ao centro-direita. Na política paraibana, porém, ele integrou alianças que ultrapassaram essa divisão ideológica. Em 2014, então deputado federal pelo DEM, Efraim participou da campanha pela reeleição de Ricardo Coutinho (PSB) ao Governo da Paraíba. No segundo turno, apoiava Ricardo no Estado e Aécio Neves (PSDB) para presidente. Quatro anos depois, o DEM integrou a coligação que elegeu João Azevêdo (PSB) governador. A aliança reunia também PT, PC do B e PDT. Efraim manteve interlocução com o governo até o período anterior à eleição de 2022, quando seguiu outro caminho na disputa pelo Senado. A proximidade também alcançou sua família. Efraim Morais, pai do senador, ocupou cargos no primeiro escalão das administrações de Ricardo Coutinho e João Azevêdo. Em 2026, o cenário é diferente. Filiado ao PL, Efraim procura ocupar de forma mais definida o espaço da direita paraibana. Segurança ganhou destaque em sua comunicação, acompanhada de temas como drogas, família, redução de impostos e valorização das forças policiais. A mudança de alianças expõe uma característica recorrente da política estadual: acordos locais nem sempre reproduzem as divisões ideológicas nacionais. Para Efraim, o desafio eleitoral será conciliar esse histórico com a identidade conservadora que apresenta hoje ao eleitor. Da Redação, O Norte.
Após Raquel Lyra, Cícero Lucena chora em propaganda eleitoral
Demonstração de emoção por candidatos ao governo de Pernambuco e da Paraíba levanta debate sobre efeitos da vulnerabilidade na decisão do eleitor Depois de Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição em Pernambuco, chorar em sua propaganda eleitoral, Cícero Lucena (MDB), candidato ao Governo da Paraíba, também apareceu chorando em uma peça de campanha. Os episódios, ocorridos em contextos distintos, colocam a demonstração pública de emoção entre os elementos usados na comunicação das duas candidaturas. A questão é se a exposição da vulnerabilidade aproxima o político do eleitor ou pode provocar desconfiança. No primeiro guia de Raquel, a governadora fez um relato pessoal ao mencionar a morte do marido, Fernando Lucena, e o período em que assumiu o governo de Pernambuco. Cícero também se emocionou diante das câmeras em material de sua campanha na Paraíba. Estudos sobre comportamento eleitoral indicam que emoções podem influenciar fatores como identificação, confiança e percepção de autenticidade, mas não permitem estabelecer uma relação direta entre o choro de um candidato e a obtenção de votos. Pesquisa disponível na Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral analisou, com 1.199 participantes das cinco regiões do país, os efeitos do choro e da raiva na avaliação de candidatos. O trabalho não encontrou evidências de que a demonstração de emoção necessariamente prejudique uma candidatura. Em determinadas situações do experimento, o choro esteve associado a avaliações mais favoráveis. A reação depende, entre outros fatores, da interpretação do público. Se percebido como espontâneo e coerente com a trajetória apresentada pelo candidato, o choro pode gerar identificação e empatia. Se entendido como exploração eleitoral da emoção, pode produzir desconfiança e rejeição. Nas redes sociais, essas reações podem ser amplificadas. A mesma cena pode circular como demonstração de sensibilidade ou ser transformada em meme, ironia e crítica. Os casos de Raquel e Cícero mostram como a exposição da vida pessoal e das emoções ocupa espaço na campanha. Seu efeito eleitoral, porém, depende menos das lágrimas em si do que da forma como são interpretadas pelo eleitor. Da Redação, O Norte.
Caso Master coloca relações de Moraes sob novo escrutínio
Mensagens e metadados relacionados a Daniel Vorcaro colocam sob escrutínio a relação do ministro do STF com o banco e com contrato firmado pelo escritório de sua mulher. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e metadados analisados pela Polícia Federal ampliaram os questionamentos sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com o Banco Master. Segundo a investigação, os registros indicam encontros entre os dois e apontam que Moraes acessou e modificou uma versão do contrato firmado pelo banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O escritório afirma que Moraes analisou o documento apenas para verificar eventual impedimento jurídico decorrente da contratação e sustenta que o ministro nunca julgou processos envolvendo o Banco Master. A existência das mensagens também não comprova, por si só, que eventuais pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos. Moraes está no STF desde 2017 e ganhou protagonismo como relator do inquérito das fake news, na atuação contra a desinformação eleitoral e nos processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro e à tentativa de golpe. As novas informações, porém, deslocam parte do debate para relações privadas envolvendo o ministro e sua família. Não há, até o momento, condenação de Moraes relacionada a esses fatos. Os documentos e mensagens permanecem sob análise e deverão ser avaliados no contexto das investigações e das manifestações das partes envolvidas. Da Redação, O Norte.
PL tenta barrar pesquisa, mas TRE-PB mantém números em circulação
Foto: Ascom/TRE PB O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba negou nesta quarta-feira (2) pedido apresentado pelo Partido Liberal para suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Índice Inteligência. O levantamento, registrado sob o número PB-04351/2026, aponta Cícero Lucena com 32,2% das intenções de voto na disputa pelo Governo do Estado. A decisão foi tomada pela juíza Renata Barros de Assunção Paiva. O PL havia questionado a pesquisa e solicitado a retirada dos resultados de circulação, mas o pedido não foi acolhido. Com isso, os dados podem continuar sendo divulgados. A decisão ocorre em um momento de crescente judicialização das pesquisas eleitorais e da comunicação de campanha na Paraíba. Pesquisas eleitorais precisam ser registradas na Justiça Eleitoral e obedecer a critérios técnicos e legais, mas os resultados representam retratos do momento em que os dados são coletados. A decisão do TRE-PB não significa validação política dos números, mas apenas que, naquele processo, não foram reconhecidos fundamentos suficientes para impedir sua divulgação. Da Redação, O Norte.
Candidatura de Cícero fica em suspenso após divisão no TRE-PB
PP/Divulgação O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba iniciou nesta quarta-feira (2) o julgamento da impugnação ao registro de candidatura de Cícero Lucena (MDB) ao Governo do Estado. A análise, no entanto, foi interrompida após pedido de vista do desembargador Rodrigo Clemente e deverá ser retomada na sexta-feira. O relator, desembargador Rodrigo Marques, votou pela improcedência da impugnação e pelo deferimento da candidatura. O voto foi acompanhado por Kéops de Vasconcelos. A desembargadora Giovanna Mayaer divergiu e votou pelo acolhimento da ação, com consequente indeferimento do registro. A impugnação foi apresentada pelo Ministério Público Eleitoral e tem como fundamento investigações relacionadas à Operação Território Livre. Segundo o MPE, o caso envolve questionamentos sobre eventual influência de grupos armados no processo político. A defesa de Cícero afirma que não foram apresentadas provas suficientes para impedir a candidatura. Com o pedido de vista, o resultado permanece indefinido. Ainda são esperados votos de outros integrantes da Corte. A decisão do TRE-PB poderá ter impacto direto na disputa pelo Governo da Paraíba, embora ainda possa ser objeto de recursos às instâncias superiores da Justiça Eleitoral. Da Redação, O Norte.
Comida e dancinhas ocupam campanha e deixam propostas em segundo plano na Paraíba
As eleições de 2026 na Paraíba avançam embaladas por jingles, dancinhas, refeições, feiras, festas e vídeos curtos. Nas redes sociais, candidatos ao Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa recorrem a cenas descontraídas para tentar demonstrar proximidade com o eleitor. Comer pratos regionais, visitar mercados, acompanhar apresentações musicais e arriscar passos de dança são recursos antigos da política. A diferença está na velocidade com que essas imagens agora circulam. Um vídeo de poucos segundos pode alcançar mais pessoas do que um discurso sobre saúde, educação ou segurança. Entre os candidatos ao Governo, Lucas Ribeiro aposta principalmente em caravanas e na associação com obras da gestão estadual. Cícero Lucena combina caminhadas, mercados e viagens pelo interior. Efraim Filho utiliza o amarelo, a fé e a imagem do foguete. Até agora, não há levantamento que permita afirmar que os três priorizam pessoalmente comida ou dança. O fenômeno, porém, aparece com frequência na campanha paraibana como um todo. O caso mais controverso ocorreu em Serra Branca, onde um ato de apoio a Cícero anunciou dois bois, dois carneiros, um porco, churrasco e bebida à vontade. A Justiça Eleitoral proibiu a distribuição gratuita, mas manteve a carreata e o comício. Não há prova de que a oferta tenha sido determinada pessoalmente pelo candidato. A política sempre teve uma dimensão de espetáculo. A dúvida é se a multiplicação dessas cenas revela falta de discurso consistente ou apenas uma adaptação às redes sociais, onde emoção, humor e entretenimento disputam a atenção do eleitor. Dançar e comer diante das câmeras não substitui propostas. Mas, em uma campanha decidida também pelo alcance digital, pode ser o caminho mais rápido para conquistar visibilidade e votos?
Campanhas ainda apostam no barulho em tempos de um eleitor cada vez mais digital
Carreatas, buzinaços, motociatas e carros de som permanecem nas eleições, embora não haja evidência de que mais barulho represente mais votos. Da Redação de O Norte O comportamento do eleitor mudou. Redes sociais, aplicativos de mensagens, vídeos e o acesso permanente à informação ampliaram as possibilidades de conhecer, comparar e fiscalizar candidatos. Mas a comunicação política ainda preserva ferramentas popularizadas no século passado. Carreatas, carros de som, buzinaços e motociatas continuam presentes nas eleições de 2026. Na Paraíba, os principais candidatos ao Governo vêm realizando caravanas, carreatas e outras mobilizações pelas cidades. Apesar da tradição, não há pesquisa brasileira recente que demonstre que aumentar o barulho de uma campanha aumente a intenção de voto. A legislação eleitoral, inclusive, estabelece limites para carros de som e minitrios. A discussão ganha outra dimensão quando o barulho deixa de ser apenas propaganda e interfere na vida de quem não escolheu participar daquele ato político. Na Paraíba, 46.560 pessoas têm diagnóstico declarado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo o Censo 2022. São 1,2% da população. Desse total, 21.180 são crianças de até 14 anos. Parte das pessoas autistas apresenta elevada sensibilidade a estímulos sonoros. Sons intensos e repentinos podem provocar desconforto, ansiedade e sobrecarga sensorial. O excesso de ruído também pode afetar idosos, enfermos, pessoas com sensibilidade auditiva e animais. Desde 2024, uma lei estadual proíbe na Paraíba fogos e artefatos pirotécnicos que produzam estampidos, medida que também busca proteger autistas, idosos, pacientes hospitalizados e animais. Diante disso, uma pergunta permanece: quanto mais barulho, mais votos? Até agora, não há pesquisa brasileira recente que demonstre essa relação. Enquanto o eleitor dispõe de ferramentas cada vez mais modernas para escolher seus candidatos, campanhas ainda recorrem a métodos baseados em ocupar as ruas pelo barulho.
MOTORISTA É PRESO APÓS CICLISTA MORRER ATROPELADO NA FAIXA DE PEDESTRES
Da Redação de O Norte Um ciclista morreu após ser atropelado quando atravessava uma faixa de pedestres nas proximidades do Estádio Almeidão, no bairro do Cristo, em João Pessoa. O acidente aconteceu na noite de sábado, 29 de agosto. A vítima foi identificada como Jonas da Silva Oliveira. Segundo as informações repassadas pela Polícia Civil, ele seguia no sentido Cristo-Geisel e tentava atravessar a via quando foi atingido por um automóvel. Com o impacto, Jonas foi arremessado para o outro lado da pista. Na sequência, outro veículo também o atingiu e o arrastou até o local onde o corpo foi encontrado. O motorista apontado como responsável pelo primeiro atropelamento perdeu o controle do carro, invadiu a faixa destinada aos ciclistas e bateu nas colunas de um viaduto. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que apresentou resultado positivo para consumo de bebida alcoólica. O condutor foi preso e deverá responder pelos fatos apurados durante a investigação. O caso chama novamente a atenção para a combinação entre álcool e direção, além da vulnerabilidade enfrentada diariamente por ciclistas e pedestres nas ruas e avenidas da capital paraibana. As circunstâncias do acidente continuarão sendo investigadas pelas autoridades.