A discussão sobre a Cagepa deixou de ser um debate restrito ao saneamento e passou a ocupar espaço central na disputa política da Paraíba. O tema ganhou dimensão eleitoral por envolver questões sensíveis ao eleitor, como abastecimento de água, tarifas e controle de um serviço público considerado estratégico. Enquanto o governo defende a PPP como instrumento de modernização e ampliação de investimentos, adversários tentam associar o projeto à ideia de privatização.
Na oposição, o tema vem sendo explorado de maneiras distintas. Efraim Filho adotou tom mais crítico, com questionamentos sobre transparência e sobre a participação da iniciativa privada na operação do serviço. Cícero Lucena tem apostado em um discurso voltado ao impacto social da medida, defendendo que o acesso à água não seja tratado apenas sob lógica econômica. Já Veneziano Vital do Rêgo concentra as críticas na condução e nos critérios do processo.
Apesar do desgaste político gerado pelo tema, a oposição ainda não demonstra unidade em torno de um discurso comum. Com diferentes estratégias e públicos, os adversários do governo dividem o espaço político, enquanto a gestão estadual busca manter o debate em nível técnico e administrativo. Ainda assim, temas ligados a serviços essenciais costumam ter forte impacto eleitoral, especialmente em regiões do interior, onde questões relacionadas ao abastecimento têm peso direto na percepção da população.