*Cristóvão Pinheiro O maior problema da sociedade moderna talvez não seja mais a falta de informação, mas o excesso dela. Nunca houve tanto acesso a notícias, opiniões, vídeos, crises e disputas acontecendo ao mesmo tempo. O problema é que pensar exige tempo, concentração e disposição mental, justamente três coisas que o ambiente digital vem consumindo diariamente. O excesso de estímulos não está necessariamente tornando as pessoas mais conscientes. Em muitos casos, está apenas tornando a sociedade mais cansada. E sociedades cansadas tendem a procurar atalhos emocionais para decidir. É nesse ambiente que respostas simples começam a substituir reflexões profundas e discursos fáceis passam a ganhar espaço diante de problemas complexos. O ser humano não busca apenas liberdade. Busca também segurança emocional diante da incerteza. Talvez por isso sistemas imperfeitos sobrevivam por tanto tempo, líderes fortes cresçam em momentos de instabilidade e populações tolerem contradições que antes seriam mais questionadas. O problema é que, quando as pessoas deixam de pensar profundamente, deixam também de escolher com consciência. E não escolher não elimina consequências. Apenas reduz a capacidade de influenciar o resultado delas. Pensar ficou mais cansativo no mundo moderno, mas talvez nunca tenha sido tão necessário. Porque escolhas ruins ainda podem ser corrigidas. Já a ausência de reflexão abre espaço para que outros decidam o futuro de toda uma sociedade. *Cristóvão Pinheiro é estrategista político e atua em projetos ligados à comunicação, ciência e inovação, com experiência em campanhas eleitorais, iniciativas institucionais e análise estratégica.
Nunca foi tão difícil pensar
PPP da Cagepa vira disputa política na Paraíba
A discussão sobre a Cagepa deixou de ser um debate restrito ao saneamento e passou a ocupar espaço central na disputa política da Paraíba. O tema ganhou dimensão eleitoral por envolver questões sensíveis ao eleitor, como abastecimento de água, tarifas e controle de um serviço público considerado estratégico. Enquanto o governo defende a PPP como instrumento de modernização e ampliação de investimentos, adversários tentam associar o projeto à ideia de privatização. Na oposição, o tema vem sendo explorado de maneiras distintas. Efraim Filho adotou tom mais crítico, com questionamentos sobre transparência e sobre a participação da iniciativa privada na operação do serviço. Cícero Lucena tem apostado em um discurso voltado ao impacto social da medida, defendendo que o acesso à água não seja tratado apenas sob lógica econômica. Já Veneziano Vital do Rêgo concentra as críticas na condução e nos critérios do processo. Apesar do desgaste político gerado pelo tema, a oposição ainda não demonstra unidade em torno de um discurso comum. Com diferentes estratégias e públicos, os adversários do governo dividem o espaço político, enquanto a gestão estadual busca manter o debate em nível técnico e administrativo. Ainda assim, temas ligados a serviços essenciais costumam ter forte impacto eleitoral, especialmente em regiões do interior, onde questões relacionadas ao abastecimento têm peso direto na percepção da população.
O Brasil vive uma crise de legitimidade no poder
*Cristovão Pinheiro O poder não é apenas aquilo que alguém possui. O poder é, antes de tudo, a percepção que as pessoas têm desse poder. Porque um cargo pode até oferecer autoridade formal, mas não garante respeito, legitimidade ou liderança. E talvez esse seja um dos maiores problemas enfrentados pelo Brasil atualmente: nunca foi tão fácil ocupar espaços de poder, mas talvez nunca tenha sido tão difícil convencer a população de que esse poder ainda merece credibilidade. Os sucessivos escândalos envolvendo setores do Executivo, do Legislativo e até do Judiciário desgastaram algo essencial para qualquer democracia: a confiança pública. Casos de corrupção, suspeitas de favorecimento pessoal, privilégios para familiares e disputas de interesse criaram uma sensação perigosa dentro da sociedade: a de que parte das instituições passou a proteger mais a si mesma do que o próprio país. E quando isso acontece, o poder continua existindo formalmente, mas começa a perder sua força simbólica. A autoridade permanece no papel, porém deixa de produzir respeito espontâneo na população. O problema é que, depois de tantas frustrações, parte da sociedade começou a desacreditar da própria participação política. Muitas pessoas passaram a enxergar o voto, o debate público e até a defesa das instituições como algo inútil. Mas existe um risco silencioso nisso: quando a população desiste de participar, entrega espaço para grupos cada vez mais fechados e permanentes. A democracia não funciona assim. As instituições existem para representar a sociedade, não para substituí-la. Governos passam, lideranças passam, figuras de poder são passageiras. O que permanece é a sociedade. E talvez o maior desafio do Brasil hoje não seja apenas reconstruir governos, mas reconstruir a confiança entre o povo e as instituições. Porque sem confiança, o poder continua existindo… mas deixa de ser verdadeiramente legítimo. *Cristóvão Pinheiro é estrategista político e atua em projetos ligados à comunicação, ciência e inovação, com experiência em campanhas eleitorais, iniciativas institucionais e análise estratégica.
Flávio Bolsonaro aciona TSE após desgaste em pesquisa eleitoral
A reação de Flávio Bolsonaro à pesquisa da AtlasIntel acabou produzindo um efeito contrário ao esperado. Ao recorrer ao TSE para contestar o levantamento, o senador ampliou ainda mais a repercussão do caso e manteve o desgaste no centro do debate político. Na avaliação do estrategista político Cristóvão Pinheiro, faltou inteligência política para enfrentar a crise de forma mais transparente e objetiva. “Quando um candidato se fecha dentro do próprio personagem e perde a capacidade de reconhecer erros, ele também perde a chance de fazer os ajustes necessários antes que o desgaste se torne maior que a própria campanha”, avaliou. Para Cristóvão Pinheiro, a tentativa de judicializar pesquisas transmite insegurança política e revela temor diante da possibilidade de novos capítulos agravarem ainda mais a situação da pré-candidatura. “Isso pode provocar um derretimento precoce da imagem eleitoral e até abrir espaço para uma desistência prematura da disputa presidencial”, afirmou. Da Redação
Prazo para declaração do Imposto de Renda termina em 29 de maio
Os contribuintes têm até o dia 29 de maio para enviar a declaração do Imposto de Renda 2026 à Receita Federal. A expectativa do governo é receber cerca de 44 milhões de declarações em todo o país. Devem declarar pessoas que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025, além de contribuintes com ganhos de capital, atividade rural, investimentos e patrimônio acima dos limites definidos pela Receita. A entrega pode ser feita pelo programa oficial, aplicativo ou plataforma “Meu Imposto de Renda”. Quem perder o prazo ficará sujeito à multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido. A Receita Federal orienta os contribuintes a evitarem os últimos dias para reduzir riscos de erro e atraso no sistema. O norte
Bebê abandonado entre muros morre após resgate na Paraíba
recém-nascido encontrado abandonado entre os muros de duas casas, em Alhandra, no Litoral Sul da Paraíba, morreu após ser socorrido em estado grave. O caso causou forte comoção na região. Segundo informações médicas, o bebê era prematuro, estava com o cordão umbilical e a placenta, além de apresentar ferimentos pelo corpo e trauma no tórax. Durante o atendimento, sofreu várias paradas cardiorrespiratórias. A criança chegou a ser encaminhada para atendimento hospitalar, mas não resistiu. O caso será investigado pelas autoridades para identificar os responsáveis pelo abandono.
O perigo de desistir da política
*Cristovão Pinheiro Muita gente perdeu a confiança na política. E existem motivos para isso. Escândalos, promessas vazias, disputas de poder e interesses pessoais fizeram crescer a sensação de que o voto já não muda quase nada. O problema é que, quando os mais conscientes desistem de participar, o espaço raramente fica vazio. O voto não é perfeito, assim como nenhum ser humano é perfeito. As escolhas políticas quase nunca acontecem apenas pela razão. Emoções, medos, interesses e paixões também influenciam as decisões das pessoas. Mas reconhecer as imperfeições do voto não significa abandonar a participação política. Pelo contrário. Significa entender que a democracia depende justamente da presença crítica da população. Muitos direitos que hoje parecem normais foram conquistados através da participação popular. O direito ao voto, a liberdade de expressão, direitos trabalhistas e até conquistas sociais nasceram de pessoas que decidiram participar, pressionar e ocupar espaços. Quando a sociedade deixa de participar, outros grupos ocupam esse espaço com muito mais organização e interesse. Democracia nunca foi sinônimo de perfeição. Talvez sua maior força esteja exatamente na possibilidade de corrigir caminhos ao longo do tempo. Desistir completamente da política não elimina os problemas. Apenas reduz a capacidade de enfrentá-los. Porque, no fim, quando as pessoas conscientes se afastam da política, alguém sempre ocupa o lugar deixado por elas. *Cristóvão Pinheiro é estrategista político e atua em projetos ligados à comunicação, ciência e inovação, com experiência em campanhas eleitorais, iniciativas institucionais e análise estratégica.
Não é o que você fala. É o que você faz
Coerência e discurso não são só conceitos bonitos, são, na prática, o que sustenta ou destrói a credibilidade de alguém. Coerência é a verdade. É quando o que você diz, o que você faz e o que você defende seguem a mesma lógica ao longo do tempo. Não significa nunca mudar de ideia, significa que, quando muda, você consegue explicar o porquê da mudança sem parecer oportunismo. Discurso é construção. É a forma como você organiza ideias, escolhe palavras e tenta influenciar quem está ouvindo. Um discurso pode ser tecnicamente perfeito e, ainda assim, vazio, se não tiver coerência por trás dele. Agora o ponto central: discurso sem coerência funciona por um tempo, com marketing forte, com repetição, com emoção. Mas ele começa a desmanchar quando a realidade entra em cena e quando as atitudes contradizem a fala de forma evidente. Por outro lado, coerência sem discurso também não resolve, porque você pode até ser consistente, mas, se não souber comunicar, ninguém percebe e você fica invisível. Na política, e isso é bem claro, quem sustenta no longo prazo não é quem fala melhor, é quem consegue manter uma linha minimamente reconhecível entre fala e prática. As pessoas podem até tolerar erros, mas têm pouca tolerância para contradição constante. Hoje tem um detalhe importante: o ambiente favorece discurso forte, até agressivo, porque isso chama atenção. Mas a coerência continua sendo o filtro silencioso. É ela que define quem cresce de forma sólida e quem depende de impulso momentâneo. Cristovão Pinheiro é reconhecido por atuar em cenários de alta complexidade, conectando política, ciência e inovação em uma visão integrada. Sua experiência combina análise de dados, construção de discursos, apoiando líderes e organizações em decisões críticas.
Política gasta demais no Brasil e compromete os gastos públicos
O controle dos gastos públicos nunca foi, de fato, uma prioridade consistente da política em Brasília. Ao longo dos anos, desde 1988, e desde que me entendo por gente, o custo da máquina estatal segue em crescimento, impulsionado não apenas por necessidades reais, mas também pela falta de sensibilidade econômica de boa parte dos atores que compõem o sistema político brasileiro. O resultado é um modelo caro, pouco eficiente e marcado por um alto nível de rigidez orçamentária, que reduz a capacidade de decisão e distancia o país da realidade fiscal de economias que conseguiram alinhar gasto com resultado. Em comparação com economias como Alemanha, Coreia do Sul e Estados Unidos, onde o gasto público é constantemente pressionado por critérios de eficiência e retorno, o Brasil mantém práticas que ampliam despesas sem a mesma exigência de desempenho. Um exemplo simples é o uso do cartão corporativo, recorrente em diferentes governos, que acaba funcionando como uma vitrine negativa, pois contradiz discursos de austeridade e responsabilidade fiscal, independentemente de quem esteja no poder. No entanto, o problema central vai além disso: mais de 90% do orçamento é composto por despesas obrigatórias, o que limita investimentos e engessa a capacidade de ajuste do Estado. Esse padrão reforça um problema estrutural: o debate sobre gastos públicos no Brasil raramente é conduzido com base em eficiência e prioridade, mas frequentemente condicionado por ciclos eleitorais, pressões corporativas e pela necessidade de manutenção de apoio político. Sem esse ajuste, a tendência é que o custo da política continue crescendo, enquanto a capacidade de entrega do Estado permanece limitada. O desafio não é novo, mas segue sendo evitado, mesmo diante de evidências claras de que o modelo atual cobra um preço cada vez maior da sociedade. Cristovão Pinheiro é reconhecido por atuar em cenários de alta complexidade, conectando política, ciência e inovação em uma visão integrada. Sua experiência combina análise de dados, construção de discursos, apoiando líderes e organizações em decisões críticas.
Idoso fica gravemente ferido após colisão entre moto e ônibus escolar na BR-230, em Malta
Um idoso de 74 anos ficou gravemente ferido após um acidente envolvendo uma motocicleta e um ônibus escolar na BR-230, no município de Malta, no Sertão da Paraíba. O caso foi registrado pelas autoridades rodoviárias. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o idoso pilotava a moto e teria tentado atravessar a rodovia quando foi atingido pelo ônibus, que seguia de Coremas para Patos. Com o impacto, a motocicleta ficou presa debaixo do veículo. Ainda segundo a PRF, o condutor não possuía habilitação. Ele foi socorrido pelo SAMU e encaminhado ao Hospital Regional de Patos. Nenhum dos ocupantes do ônibus escolar ficou ferido. Foto: Reprodução