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Campanhas ainda apostam no barulho em tempos de um eleitor cada vez mais digital 

Por Redação · Publicada em

Carreatas, buzinaços, motociatas e carros de som permanecem nas eleições, embora não haja evidência de que mais barulho represente mais votos.

Da Redação de O Norte 

O comportamento do eleitor mudou. Redes sociais, aplicativos de mensagens, vídeos e o acesso permanente à informação ampliaram as possibilidades de conhecer, comparar e fiscalizar candidatos. Mas a comunicação política ainda preserva ferramentas popularizadas no século passado. 

Carreatas, carros de som, buzinaços e motociatas continuam presentes nas eleições de 2026. Na Paraíba, os principais candidatos ao Governo vêm realizando caravanas, carreatas e outras mobilizações pelas cidades. 

Apesar da tradição, não há pesquisa brasileira recente que demonstre que aumentar o barulho de uma campanha aumente a intenção de voto. A legislação eleitoral, inclusive, estabelece limites para carros de som e minitrios. 

A discussão ganha outra dimensão quando o barulho deixa de ser apenas propaganda e interfere na vida de quem não escolheu participar daquele ato político. 

Na Paraíba, 46.560 pessoas têm diagnóstico declarado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo o Censo 2022. São 1,2% da população. Desse total, 21.180 são crianças de até 14 anos. 

Parte das pessoas autistas apresenta elevada sensibilidade a estímulos sonoros. Sons intensos e repentinos podem provocar desconforto, ansiedade e sobrecarga sensorial. O excesso de ruído também pode afetar idosos, enfermos, pessoas com sensibilidade auditiva e animais. 

Desde 2024, uma lei estadual proíbe na Paraíba fogos e artefatos pirotécnicos que produzam estampidos, medida que também busca proteger autistas, idosos, pacientes hospitalizados e animais. 

Diante disso, uma pergunta permanece: quanto mais barulho, mais votos? 

Até agora, não há pesquisa brasileira recente que demonstre essa relação. 

Enquanto o eleitor dispõe de ferramentas cada vez mais modernas para escolher seus candidatos, campanhas ainda recorrem a métodos baseados em ocupar as ruas pelo barulho.