A sabatina conjunta dos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e à Procuradoria Geral da República (PGR), Paulo Gonet, teve início por volta das 9h40 desta quarta-feira (13) no Senado, com questionamentos dos senadores, principalmente da oposição, sobre o formato escolhido para as sabatinas. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Davi Alcolumbre (União-AP), decide o formato conjunto das sabatinas. A sessão começou com um questionamento do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que criticou a realização das sabatinas em uma mesma sessão e pediu que fossem separadas. “A sabatina de dois candidatos em uma única sessão dessa comissão com resposta em bloco implicará em menor tempo para os senadores e as senadoras formularem seus questionamentos, e os próprios indicados não disporão dos minutos necessários para oferecer as respostas com a profundidade esperada. Não há razão para submeter esta Casa, esta comissão e os indicados a uma sabatina mal feita e apressada”, afirmou. O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), rebateu as críticas, afirmando que o regimento do Senado não indica o formato das sabatinas. “Foi dito aqui que é um procedimento inusitado, inovador, sui generis. Presidente, há três semanas estava aqui junto com o senhor, três candidatos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) foram sabatinados, e esse questionamento não ocorreu. Ontem, na Comissão de Assuntos Econômicos, teve a sabatina dos indicados ao Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica], e esse questionamento não ocorreu”, disse. Davi Alcolumbre, presidente da CCJ, rejeitou a questão de ordem apresentada por Alessandro Vieira e apoiada por senadores da oposição, argumentando que haverá tempo suficiente para todos os senadores participarem. “No regimento da Comissão e do Senado Federal não está expressa a necessidade de individualizarmos as reuniões de sabatinas de autoridades, tanto que não vou citar os outros exemplos que todo mundo já conhece”, afirmou. Diante dos questionamentos, Alcolumbre modificou o rito da sabatina. Ao invés de blocos de perguntas de três senadores, com os indicados respondendo a três senadores ao mesmo tempo, como inicialmente anunciado, o presidente da CCJ decidiu individualizar as perguntas. “Nós vamos esquecer os blocos de três. Nós vamos fazer perguntas individualizadas para cada um. O senador que estiver decidido a sabatinar o indicado para o cargo do Supremo usará os dez minutos dele para perguntar ao Supremo. O senador que quiser perguntar para a PGR usará os 10 minutos dele para perguntar ao indicado para o procurador-geral. Aquele que quiser perguntar para os dois terá cinco ou seis minutos para um e quatro minutos para outro”, decidiu. Os indicados O Senado está analisando nesta quarta-feira as indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro do STF e procurador-geral da PGR. O indicado ao Supremo, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, é formado em direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Dino exerceu a função de juiz federal por 12 anos, ocupando postos como a presidência da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a secretaria-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele deixou a magistratura para seguir a carreira política, sendo eleito deputado federal pelo Maranhão em 2006. O ministro presidiu a Embratur entre 2011 e 2014, ano em que se elegeu governador do Maranhão. Em 2018, foi reeleito para o cargo. Nas últimas eleições, em 2022, elegeu-se senador e, após tomar posse, foi nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública. Aos 55 anos, é o indicado de Lula para o STF. O novo ministro do STF assumirá a vaga deixada pela ministra Rosa Weber, que se aposentou compulsoriamente da Corte ao completar 75 anos no início do mês. Rosa foi nomeada pela então presidenta Dilma Rousseff em 2011. Na Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet ocupará a vaga aberta com a saída de Augusto Aras. O mandato de Aras na PGR terminou no fim de setembro, e a vice-procuradora Elizeta Ramos assumiu o comando do órgão interinamente. Paulo Gustavo Gonet Branco, com 57 anos, é subprocurador-geral da República e atual vice-procurador-geral Eleitoral. Com 37 anos de carreira no Ministério Público, é cofundador, junto com o ministro Gilmar Mendes do STF, do Instituto Brasiliense de Direito Público e foi diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União.
Sabatinas de Dino e Gonet começam com críticas ao formato da sessão
Lula defende taxação internacional para desenvolvimento sustentável
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (13), a criação de mecanismos de taxação internacional para financiar o desenvolvimento sustentável. Lula participou da reunião conjunta das trilhas de Sherpas e de Finanças do G20, grupo composto pelas maiores economias do mundo, onde o Brasil exerce a presidência de 1º de dezembro de 2023 a 30 de novembro de 2024. Uma das prioridades do mandato brasileiro é a defesa da reforma das instituições de governança e financiamento global para refletir a geopolítica atual. Lula propôs a equação da dívida externa dos países mais pobres, especialmente da África, e destacou a necessidade de bancos multilaterais de desenvolvimento serem mais eficazes, destinando recursos de maneira ágil para iniciativas impactantes. O presidente afirmou que a tributação é essencial para corrigir disparidades socioeconômicas entre países e dentro deles. Ele defendeu sistemas tributários justos baseados na progressividade e transparência, incidindo não apenas sobre a renda, mas também sobre a riqueza, coibindo a evasão fiscal dos super ricos. Lula sugeriu a exploração de mecanismos de taxação internacional como parte desse processo. Lula tem enfatizado em discursos internacionais que o modelo atual de governança, criado após a Segunda Guerra Mundial, é antiquado e não reflete mais a geopolítica do século 21. Ele destaca a necessidade de representação adequada de países emergentes em órgãos como o Conselho de Segurança da ONU e em instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial e o FMI. O presidente alertou para a instabilidade política decorrente da dívida dos países pobres e defendeu que esses devedores participem das negociações para salvaguardar suas prioridades nacionais. Cerca de setenta países, muitos na África, estão insolventes ou próximos disso, e quase metade da população mundial vive em países que destinam mais recursos para pagamento da dívida do que para educação ou saúde, afirmou Lula. Além disso, Lula pediu o encorajamento das instituições financeiras internacionais para cortarem sobretaxas, aumentarem os recursos concessionais e criarem fórmulas para reduzir riscos. Ele defendeu um regime mais equitativo de alocação de direitos especiais de saque e o aprimoramento de mecanismos de financiamento climático, criticando as barreiras burocráticas que impedem países em desenvolvimento de acessar fundos ambientais substanciais. Desenvolvimento sustentável A segunda prioridade do Brasil durante a presidência do G20 é enfrentar as mudanças climáticas, com foco na transição energética, e promover o desenvolvimento sustentável nas dimensões econômica, social e ambiental. O presidente Lula enfatizou que as transformações globais devem resultar em bem-estar social, prosperidade econômica e sustentabilidade ambiental para todos. Lula destacou que os países do G20 são responsáveis por três quartos das emissões globais de gases do efeito estufa. Ele ressaltou que os membros de renda alta emitem 12 toneladas de gás carbônico per capita anualmente, enquanto os de renda média emitem metade desse volume. Nesse contexto, Lula defendeu a necessidade de uma descarbonização justa da economia global e uma revolução digital justa. O presidente afirmou que o acesso às tecnologias é crucial não apenas para uma transição energética justa, mas também no âmbito digital. Ele expressou o desejo de expandir as capacidades em áreas como Inteligência Artificial, incluindo infraestrutura computacional, destacando a importância de diretrizes claras e coletivamente acordadas para o uso dessa ferramenta. Lula enfatizou que o tratamento da Inteligência Artificial não deve repetir a divisão entre países responsáveis e irresponsáveis, como ocorreu em discussões sobre desarmamento e não-proliferação. Durante a presidência do Brasil no G20, serão lançadas uma iniciativa para a bioeconomia e uma força-tarefa contra as mudanças climáticas. Lula explicou que o foco da força-tarefa será promover planos nacionais de transformação ecológica, considerando o impacto do aquecimento global sobre os mais vulneráveis. Quanto à bioeconomia, o presidente a considerou uma “via promissora” para muitos países em desenvolvimento, defendendo a definição de princípios básicos para o uso sustentável de recursos naturais na geração de bens e serviços de alto valor agregado. Combate à fome O Brasil focalizará o terceiro e último eixo do mandato na inclusão social e na luta contra a desigualdade, a fome e a pobreza. Uma força-tarefa contra a fome será criada, propondo uma aliança global com três pilares: compromissos nacionais para impulsionar políticas públicas testadas, mobilização de recursos internos e externos para o financiamento e difusão de boas práticas para cooperação entre países do sul global. Lula argumentou: “Queremos erradicar uma das principais mazelas da atualidade. É inadmissível que um mundo capaz de gerar riquezas da ordem US$ 100 trilhões por ano conviva com a fome de mais de 735 milhões de pessoas e a pobreza de mais de 8% da população”. Durante seu discurso, o presidente expressou preocupação com o recrudescimento dos conflitos, a formação de blocos protecionistas e a destruição ambiental. Ele mencionou o conflito entre Israel e Palestina, manifestando luto e pedindo um cessar-fogo permanente, ajuda humanitária em Gaza e a solução de dois estados para garantir a segurança. Lula destacou a necessidade de uma nova globalização para combater as desigualdades, considerando-as fundamentais na raiz dos problemas globais. Agenda de trabalho O governo do Brasil decidirá e implementará a agenda do G20 com o apoio direto da Índia, última ocupante da presidência, e da África do Sul, país que assumirá o mandato em 2025. Este sistema, conhecido como troika, é um dos diferenciais do grupo em relação a outros organismos internacionais. Esta é a primeira vez que o Brasil assume a presidência do G20 desde sua criação em 1999. O país esteve presente desde o início, quando as 20 maiores economias do mundo se reuniram para buscar soluções para a grave crise financeira que abalou os mercados e levou à quebra de inúmeras instituições em 1999. Inicialmente, o grupo era composto apenas por ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais, mas em 2008, em resposta a uma nova crise financeira internacional, adotou o formato atual, incluindo chefes de Estado e de Governo. Atualmente, o G20 é composto por 19 das maiores economias do mundo e a União Europeia, com a União Africana tornando-se membro permanente durante a 18ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo em
Ministro da Secom diz que população perceberá melhora do país em 2024
O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, Paulo Pimenta, afirmou que muitas das ações implementadas pelo governo federal em 2023 serão efetivamente percebidas pela população em 2024. Ele destacou a importância de ferramentas como o ComunicaBR, que permite a prestação de contas em tempo real, proporcionando à população e à imprensa a capacidade de acompanhar e fiscalizar as atividades do governo nos estados e municípios. Durante uma entrevista em Brasília no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Pimenta reiterou que o governo encontrou o país em uma situação inicial de destruição, com programas sociais paralisados. No entanto, ele assegurou que em 2024 a população começará a sentir os resultados das ações governamentais. O ministro mencionou a criação de um milhão de vagas em escolas em tempo integral no próximo ano, com a meta de atingir 3,6 milhões de crianças até o final do mandato do presidente Lula. Ele ressaltou que as famílias começarão a perceber essa diferença a partir de fevereiro, quando o ano letivo começar. Pimenta também anunciou a seleção das primeiras obras do programa Minha Casa, Minha Vida, visando a assinatura de dois milhões de novos contratos. Ele destacou que o governo espera gerar 4,5 milhões de empregos com a retomada de obras do novo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao abordar temas como saúde e educação, o ministro mencionou mais de 11 mil obras em andamento. Ele enfatizou que 2024 será o ano da colheita, quando a população começará a sentir os efeitos tangíveis, incluindo o aumento real do salário mínimo, o crescimento da isenção do Imposto de Renda e a melhoria da situação econômica com inflação controlada, redução dos preços dos combustíveis e queda na taxa de desemprego. Pimenta destacou que, após estabelecer a estrutura neste ano, o governo espera que as ações realmente decolem a partir do próximo ano. ComunicaBR O ministro da Secom enfatizou que as ações do governo federal serão transparentes e acessíveis em tempo real por meio da ferramenta ComunicaBR, uma plataforma online que possibilitará a todos acompanhar dados sobre as entregas dos principais programas do governo federal em cada município e estado mensalmente. Através dessa plataforma, os usuários poderão criar relatórios e fichas detalhadas de maneira simples e intuitiva para monitorar os resultados. Ele explicou que qualquer pessoa poderá acessar informações em tempo real sobre as ações do governo federal em seu estado ou cidade. Ao entrar no site e informar a cidade, será possível verificar, por exemplo, a presença de médicos do programa Mais Médicos, o número de beneficiários do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC), as transferências do governo para a área da saúde, bem como as previsões para a educação em tempo integral. A ferramenta visa promover transparência, fiscalização e informação, permitindo que os cidadãos, que estão diretamente envolvidos, fiscalizem e verifiquem se as ações estão sendo realizadas, além de possibilitar a pressão sobre os governos. O ministro destacou que essa ferramenta demandará uma resposta ágil por parte do governo, mas também servirá para desmentir informações falsas (fake news). Ele ressaltou que a imprensa, tanto nacional quanto local, se beneficiará ao poder acompanhar todas as realizações do governo. Paulo Pimenta concluiu destacando que não conhece nada semelhante em termos de ferramenta de informação, e ela representará uma prestação de contas do governo em tempo real.
Câmara aprova auxílio para alunos de baixa renda do ensino médio
Nesta terça-feira (12), a União aprovou, por unanimidade, um projeto de lei na Câmara dos Deputados que estabelece um incentivo financeiro para alunos de baixa renda do ensino médio permanecerem na escola e concluírem o ensino básico. O texto propõe a criação de um fundo com aporte de até R$ 20 bilhões, a ser feito pela União para cobrir as despesas, e agora aguarda análise do Senado. O projeto contempla o pagamento de dois tipos de auxílio, com valores ainda a serem determinados. O primeiro auxílio será pago mensalmente, durante pelo menos nove meses ao ano, com a possibilidade de saque a qualquer momento. Além disso, está previsto um pagamento anual ao final de cada ano letivo, mas o saque, nesse caso, só será permitido após a conclusão do ensino médio. Os estudantes beneficiários devem manter uma frequência escolar de 80% dos dias letivos, com a exigência de aumento para 85% em até três anos após o início do programa, superando os atuais 75% necessários para aprovação escolar. O incentivo destina-se a estudantes regularmente matriculados no ensino médio das redes públicas, provenientes de famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) dos programas do governo federal. Prioridade será dada aos alunos de famílias com renda per capita mensal de até R$ 218. O benefício também poderá ser concedido a estudantes da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), desde que tenham entre 19 e 24 anos. A seleção dos alunos seguirá os critérios de inscrição do CadÚnico e poderá incluir outros critérios estabelecidos em regulamento do Executivo, baseados em vulnerabilidade social, idade do estudante e modalidade de ensino. A lista dos beneficiados será disponibilizada na internet com acesso público. Quanto ao valor do auxílio, este será periodicamente definido pelo Executivo federal por meio de regulamento, considerando a dinâmica socioeconômica do país e estudos técnicos. O governo estima um pagamento mensal de aproximadamente R$ 200, iniciado no momento da matrícula, e um aporte anual de R$ 1 mil ao final de cada ano, condicionado à obtenção do certificado de conclusão do ensino médio. O projeto de lei estipula que esse auxílio não será considerado no cálculo da renda familiar para a obtenção de outros benefícios assistenciais. No entanto, não poderá ser acumulado com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou com o Bolsa Família no caso de famílias unipessoais. Combate à evasão escolar O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), relator do projeto na Câmara, incorporou a maior parte da Medida Provisória 1.198, emitida pelo governo federal no final de novembro, que estabeleceu uma poupança para incentivar a permanência e a conclusão escolar de estudantes do ensino médio. Uczai argumentou que o aumento de gastos decorrente dessa política pública resultará em benefícios evidentes para as políticas educacionais, com a redução da evasão escolar e a ampliação da escolaridade da população em geral. O parlamentar justificou a aprovação do projeto com base nos dados do Ministério da Educação (MEC) sobre evasão, reprovação e distorção idade-série no Ensino Médio brasileiro. Conforme o Censo Escolar de 2019 a 2022, a evasão escolar foi, em média, de 8,8% no 1º ano do Ensino Médio, 8,3% no 2º ano e 4,6% no 3º ano, última etapa da educação básica. O projeto, de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), foi destacado durante a sessão. Amaral salientou que nenhum aluno deve abandonar os estudos devido à necessidade de levar comida para casa. Ela afirmou que ao criar uma política pública que assegura que nenhum aluno precise escolher entre alimentação, levar dinheiro para casa e concluir os estudos, estamos fazendo a melhor aposta e enviando uma mensagem forte de que acreditar no investimento em educação e nesses jovens vale a pena. Fundo Social Os recursos para financiar esta política serão provenientes dos superávits financeiros do Fundo Social (FS). Este fundo, criado para receber recursos provenientes da exploração do pré-sal, destina-se ao financiamento de ações em diversas áreas, como saúde pública, ciência e tecnologia, meio ambiente, além de medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Conforme estabelecido no relatório do deputado Pedro Uczai, o projeto autoriza a utilização de recursos do Fundo Social, totalizando R$ 18,7 bilhões. Este montante representa o saldo positivo acumulado entre os anos de 2018 e 2022, conforme cálculos da Secretaria do Tesouro Nacional.
Copom inicia oitava reunião do ano para definir taxa básica de juros
Nesta terça-feira (12), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deu início à oitava e última reunião do ano para definir a taxa básica de juros, a Selic. Na expectativa do mercado, o órgão deve reduzir a taxa dos atuais 12,25% ao ano para 11,75% ao ano, de acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do BC com analistas de mercado. Caso essa projeção se concretize, será o quarto corte desde agosto, quando o Copom interrompeu o ciclo de aperto monetário. Após sucessivas reduções no primeiro semestre, a inflação apresentou uma elevação na segunda metade do ano, conforme previsto por economistas. Os membros do Copom já indicavam cortes de 0,5 ponto percentual nas reuniões do segundo semestre. No comunicado do último encontro, em novembro, o órgão destacou que a magnitude total do ciclo de flexibilização dependerá da evolução da dinâmica inflacionária. Para o próximo ano, a expectativa dos analistas é que as reduções continuem, porém em menor medida, com a projeção de que a Selic encerre 2024 em 9,25% ao ano. As previsões para o final de 2025 e 2026 apontam uma Selic de 8,5% ao ano. Inflação A meta de inflação para 2023, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,25%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso estabelece um limite inferior de 1,75% e um superior de 4,75%. No mês de novembro, o aumento nos preços dos alimentos teve um impacto significativo na inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, alcançou 0,28%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse percentual foi superior ao registrado em setembro, que apresentou uma elevação de 0,24%. A inflação acumulada no ano atingiu 4,04%, enquanto nos últimos 12 meses o índice ficou em 4,68%. Na última ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou a necessidade de manter uma política monetária contracionista para consolidar a convergência da inflação para a meta em 2024 e 2025, bem como a ancoragem das expectativas. As estimativas do mercado para a inflação são de 3,93% em 2024, e 3,5% para 2025 e 2026. No período de março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 12 vezes consecutivas, iniciando um ciclo de aperto monetário em meio à alta dos preços de alimentos, energia e combustíveis. Após um ano, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano por sete vezes consecutivas. Antes desse ciclo de alta, a Selic havia sido reduzida para 2% ao ano, o nível mais baixo da série histórica, como resposta à contração econômica gerada pela pandemia de COVID-19, sendo mantida nesse patamar de agosto de 2020 a março de 2021. Taxa Selic A taxa básica de juros, conhecida como Selic, desempenha um papel crucial nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para outras taxas da economia. Essa taxa é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. O BC atua diariamente no mercado, comprando e vendendo títulos públicos federais por meio de operações de mercado aberto, a fim de manter a taxa de juros próxima ao valor definido nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Quando o Copom decide elevar a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, impactando os preços, uma vez que taxas de juros mais altas encarecem o crédito e incentivam a poupança. Contudo, além da Selic, os bancos levam em consideração outros fatores ao determinar as taxas de juros para os consumidores, como o risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Dessa forma, taxas mais elevadas também podem dificultar a expansão da economia. Por outro lado, ao reduzir a Selic, a tendência é que o crédito se torne mais acessível, estimulando a produção e o consumo, o que pode reduzir o controle sobre a inflação e impulsionar a atividade econômica. No último Relatório de Inflação, o Banco Central elevou para 2,9% a projeção de crescimento para a economia em 2023, enquanto o mercado estima um crescimento de 2,92%, conforme indicado pelo boletim Focus. No terceiro trimestre do ano, a economia brasileira cresceu 0,1% em relação ao segundo trimestre de 2023, superando as projeções. A alta acumulada no ano foi de 3,2%, posicionando o Produto Interno Bruto (PIB) novamente no maior patamar da série histórica, com um aumento de 7,2% em relação ao nível pré-pandemia registrado nos últimos três meses de 2019. O Copom realiza reuniões a cada 45 dias, onde são apresentadas análises técnicas sobre a economia brasileira e mundial, comportamento do mercado financeiro, e membros do comitê, formado pela diretoria do BC, analisam e definem a Selic.
Economia Pressionada por alimentos, inflação de novembro sobe para 0,28%
A inflação oficial de novembro registrou um aumento, atingindo 0,28%, em comparação com outubro, quando foi de 0,24%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses, o IPCA totaliza 4,68%. O IPCA avalia a inflação para famílias com renda de até 40 salários mínimos. O resultado dos últimos 12 meses encontra-se dentro do limite da meta estabelecida pelo governo, que é de 3,25%, com uma tolerância de 1,5%, ou seja, até 4,75%. Alimentos e bebidas Dentre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, seis apresentaram aumento de preços, com destaque para alimentos e bebidas, que registrou uma elevação de 0,63%, mais que o dobro do índice de outubro (0,31%). Essa alta contribuiu com 0,13 ponto percentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país. André Almeida, gerente da pesquisa do IBGE, apontou as condições climáticas como responsáveis pelo aumento nos preços. Ele mencionou que as temperaturas mais altas e o aumento do volume de chuvas em diversas regiões do país impactaram a colheita de alimentos, especialmente aqueles mais sensíveis ao clima, como tubérculos, legumes e hortaliças. No subgrupo alimentação no domicílio, os preços subiram 0,75%, impulsionados pelos aumentos na cebola (26,59%), batata-inglesa (8,83%), arroz (3,63%) e carnes (1,37%). Por outro lado, houve queda nos preços do tomate (-6,69%), cenoura (-5,66%) e leite longa vida (-0,58%). No que diz respeito à alimentação fora de casa, houve um aumento de 0,32%, uma alta menor em comparação com outubro, que registrou 0,42%. Serviços públicos Outro fator que contribuiu para a aceleração da inflação em novembro foi o grupo de habitação, que registrou um aumento de 0,48%, impactando o índice em 0,07 ponto percentual. Os reajustes nos serviços públicos foram determinantes para esse resultado. A conta de luz teve um aumento de 1,07%, devido a recomposições de preços em cidades como Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre. Já a tarifa de água e esgoto subiu 1,02%, com aumentos localizados em Fortaleza e no Rio de Janeiro. É importante notar que, apesar de os reajustes ocorrerem em cidades específicas, eles são considerados no cálculo da média nacional do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Transportes O grupo de transportes registrou um aumento de 0,27%, impactando o IPCA em 0,06 ponto percentual. O principal contribuidor para essa variação foi o aumento no preço das passagens aéreas, que apresentaram uma elevação de 19,12%. Esse subitem foi responsável pela maior contribuição individual, correspondendo a 0,14 ponto percentual no IPCA do mês. Por outro lado, os preços da gasolina (-1,69%) e do etanol (-1,86%) apresentaram quedas, contribuindo para conter o aumento nos preços dos combustíveis, que registraram uma diminuição de 1,58%. Além disso, houve deflação (recuo nos preços) nos setores de artigos de residência (-0,42%), vestuário (-0,35%) e comunicação (-0,50%) durante o mês. INPC Nesta terça-feira (12), o IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que avalia a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos. O índice apresentou um aumento de 0,10% em novembro, registrando uma leve redução em comparação com outubro, quando foi de 0,12%. No acumulado de 12 meses, o INPC atingiu 3,85%.
Lula: quem divulga fake news sobre vacinas deve ser criminalizado
Nesta terça-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criminalização da disseminação de informações falsas sobre a segurança e efetividade de vacinas. Durante o programa semanal “Conversa com o Presidente”, transmitido pelo Canal Gov, Lula afirmou que é necessário criminalizar aqueles que propagam mentiras sobre a vacinação, especialmente dirigidas à população brasileira, incluindo as crianças. Lula destacou a importância de processar criminalmente aqueles que promovem propaganda contrária e disseminam desinformação, classificando-os como negacionistas e facínoras. Ele enfatizou a gravidade do tema e a necessidade de lidar com essas questões de maneira rigorosa. A live contou com a participação da ministra da Saúde, Nísia Trindade, que apresentou um balanço das ações do governo ao longo de 2023. Ela mencionou a criação da iniciativa interministerial “Saúde com Ciência” como parte da estratégia para combater as fake news e responder preventivamente aos efeitos negativos das redes de desinformação, visando recuperar as altas coberturas vacinais no Brasil. Nísia Trindade ressaltou que o governo enfrentou desafios, incluindo a falta de estoques das vacinas básicas para a infância, como poliomielite e sarampo. Ela destacou os esforços para organizar e garantir o abastecimento necessário para o funcionamento eficiente do sistema de vacinação. A ministra informou que as fake news sobre vacinas incluíam narrativas falsas sobre a relação dessas vacinas com doenças como câncer, aids e diabetes. Além disso, mencionou informações incorretas sobre a vacina contra a COVID-19, como a alegação de que poderia causar modificações na corrente sanguínea ou no DNA. Nísia Trindade expressou otimismo ao observar um aumento consolidado na cobertura vacinal, destacando o caso do HPV para adolescentes, que registrou um aumento de 60% na cobertura neste ano, sendo uma vacina crucial para a prevenção do câncer de colo de útero.
Comissão do Senado aprova redução de jornada sem corte no salário
Nesta terça-feira (12), a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, por 10 votos contra 2, um projeto de lei que possibilita a redução da jornada de trabalho sem a diminuição do salário do trabalhador. Contudo, a proposta estabelece uma exceção para os casos em que a redução salarial seja acordada entre trabalhadores e patrão em convenção coletiva de trabalho. Devido à aprovação em caráter terminativo, o projeto seguirá para análise da Câmara dos Deputados. O senador Paulo Paim (PT-RS), relator do texto, afirmou que a proposta oferece a oportunidade de criar novos postos de trabalho, contribuindo para a redução das taxas de desemprego e promovendo uma distribuição de renda mais equitativa. Ele destacou que pesquisas indicam que a redução da jornada pode aumentar a produtividade, estimulando o crescimento econômico, além de melhorar a saúde mental e física dos trabalhadores. Paim ressaltou que diversos países, incluindo França, Alemanha, Espanha e Dinamarca, já discutem modelos laborais com redução da jornada sem cortes nos salários. O relator também mencionou que acatou a sugestão do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) para permitir a redução salarial nos casos em que houver aprovação em convenção coletiva. Paim consultou a Constituição para embasar essa decisão. Por outro lado, Paim rejeitou uma emenda proposta pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), que incluía a possibilidade de as horas reduzidas serem compensadas por acordo entre as partes, com anuência das entidades sindicais, sem a necessidade de passar por acordo coletivo. A emenda não foi aceita, levando Laércio e o senador Dr. Hiran (PP-RR) a votarem contra o projeto. Vale ressaltar que a medida de redução de jornada não se aplica ao regime parcial de trabalho, e a jornada poderá ser reduzida ao limite mínimo de 30 horas semanais. O projeto original é de autoria do senador Weverton (PDT-MA), que agradeceu o apoio e enfatizou a importância de fortalecer a relação entre empregado e empregador diante das mudanças recentes na legislação do trabalho. Ele destacou a necessidade de uma correlação justa e fraterna para garantir segurança a ambos os lados, especialmente em um país dinâmico como o Brasil.
Comissão do Senado adia votação sobre vacinação em escolas públicas
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) solicitou o adiamento da votação do projeto de lei que aborda a criação do Programa Nacional de Vacinação em Escolas Públicas durante a reunião da Comissão de Educação (CE) do Senado nesta terça-feira (12). O projeto em questão é o PL 826/2019. A senadora afirmou que precisa de mais tempo para examinar a proposta e apresentar suas sugestões. Damares Alves justificou sua preocupação com detalhes do texto que, segundo ela, podem ser deixados para a regulamentação da lei. Ela expressou inquietação sobre como o programa será implementado em escolas de ensino especial, mencionando a situação de crianças com autismo severo. A senadora levantou questões sobre quem será responsável pela aplicação da vacina e como as escolas lidarão com casos de imprevistos. A parlamentar ressaltou a importância de esclarecer e aprimorar pontos específicos do projeto na Comissão de Educação. Além disso, mencionou a necessidade de ajustes no texto, uma vez que o projeto já foi modificado na Comissão de Assuntos Sociais após ser aprovado na Câmara dos Deputados. Damares Alves também expressou o desejo de dialogar com representantes de escolas privadas para assegurar a participação delas na iniciativa. O projeto prevê que escolas particulares possam aderir à iniciativa, a ser executada por unidades de saúde locais. O relator do projeto, senador Marcelo Castro (MDB-PI), manifestou surpresa com o pedido de vista da senadora. Ele destacou que o projeto já foi amplamente debatido na Comissão de Assuntos Sociais, onde houve acordo e votação consensual. Apesar do pedido de vista, o relatório de Marcelo Castro é favorável à criação do programa. O PL 826/2019, apresentado pelo deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) em 2019, tem como objetivo priorizar a vacinação de alunos da educação infantil e do ensino fundamental nas escolas públicas. O projeto busca intensificar as ações de vacinação para melhorar a cobertura vacinal, considerando as dificuldades enfrentadas pelo Brasil nesse aspecto nos últimos anos, conforme apontado por dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O relator, Marcelo Castro, destaca a importância de realizar a vacinação nas escolas públicas para proporcionar um acesso mais facilitado e universal às vacinas, especialmente para famílias de baixa renda.
Receita paga nesta quinta lote residual de restituição do IR
A Receita Federal realizará o pagamento de R$ 762,9 milhões a cerca de 358 mil contribuintes que estavam na malha fina e acertaram suas contas com o Fisco. Esse lote residual do Imposto de Renda Pessoa Física será disponibilizado nesta quinta-feira (30). Os valores serão depositados nas contas informadas na declaração do Imposto de Renda. Dentre os contribuintes contemplados, 5.774 têm mais de 80 anos, 58.060 estão na faixa etária de 60 a 79 anos, 6.654 possuem alguma deficiência física, mental ou doença grave, e 14.863 têm o magistério como principal fonte de renda. Adicionalmente, 129.019 contribuintes sem prioridade legal, que utilizaram a declaração pré-preenchida ou optaram por receber a restituição por meio de Pix, também foram incluídos. O lote abrange ainda 144.367 contribuintes não prioritários. A consulta para verificar se o contribuinte está incluso neste lote foi aberta no dia 22, na página da Receita Federal na internet, no menu “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. A consulta também pode ser realizada por meio do aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones. Os contribuintes que não constam nesta lista podem verificar eventuais pendências no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e, se necessário, corrigir a declaração por meio de uma retificadora. Caso a restituição não seja depositada na conta informada na declaração, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. Se o contribuinte não resgatar o valor após esse período, deverá requerê-lo no Portal e-CAC.