
As eleições de 2026 na Paraíba avançam embaladas por jingles, dancinhas, refeições, feiras, festas e vídeos curtos. Nas redes sociais, candidatos ao Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa recorrem a cenas descontraídas para tentar demonstrar proximidade com o eleitor.
Comer pratos regionais, visitar mercados, acompanhar apresentações musicais e arriscar passos de dança são recursos antigos da política. A diferença está na velocidade com que essas imagens agora circulam. Um vídeo de poucos segundos pode alcançar mais pessoas do que um discurso sobre saúde, educação ou segurança.
Entre os candidatos ao Governo, Lucas Ribeiro aposta principalmente em caravanas e na associação com obras da gestão estadual. Cícero Lucena combina caminhadas, mercados e viagens pelo interior. Efraim Filho utiliza o amarelo, a fé e a imagem do foguete. Até agora, não há levantamento que permita afirmar que os três priorizam pessoalmente comida ou dança. O fenômeno, porém, aparece com frequência na campanha paraibana como um todo.
O caso mais controverso ocorreu em Serra Branca, onde um ato de apoio a Cícero anunciou dois bois, dois carneiros, um porco, churrasco e bebida à vontade. A Justiça Eleitoral proibiu a distribuição gratuita, mas manteve a carreata e o comício. Não há prova de que a oferta tenha sido determinada pessoalmente pelo candidato.
A política sempre teve uma dimensão de espetáculo. A dúvida é se a multiplicação dessas cenas revela falta de discurso consistente ou apenas uma adaptação às redes sociais, onde emoção, humor e entretenimento disputam a atenção do eleitor.
Dançar e comer diante das câmeras não substitui propostas. Mas, em uma campanha decidida também pelo alcance digital, pode ser o caminho mais rápido para conquistar visibilidade e votos?