Luiz Inácio Lula da Silva chegou à entrevista do Jornal Nacional, nesta quinta-feira (27), carregando não apenas o peso de sua candidatura, mas uma longa história de poder.
Lula governou o Brasil por oito anos, entre 2003 e 2010. Dilma Rousseff assumiu em 2011 e permaneceu até agosto de 2016. Lula voltou ao Planalto em janeiro de 2023. Somados, os governos dos dois petistas já ultrapassam 17 anos no comando do país.
É tempo suficiente para que o presente seja julgado pelo presente.
Mas, diante dos jornalistas da Globo, Lula recorreu mais uma vez ao passado para explicar dificuldades atuais. Em um dos momentos mais comentados da entrevista, ao ser questionado por Renata Vasconcellos, o presidente não apenas respondeu: contestou a formulação e tentou explicar à apresentadora como, na visão dele, a pergunta deveria ter sido feita.
O episódio simboliza um problema maior. Lula caminha para disputar um possível quarto mandato presidencial, mas continua usando realizações de governos anteriores como principal argumento político.
Depois de tantos anos de poder, já não basta lembrar o que foi feito há duas décadas. O eleitor também quer saber o que está sendo entregue agora.
Governar por tanto tempo significa acumular méritos, mas também responsabilidades. Quem reivindica para si os avanços do passado precisa responder igualmente pelos problemas do presente.
A entrevista mostrou um Lula experiente, mas ainda preso ao retrovisor. Vive do passado, enrola para explicar o presente e, quando a pergunta incomoda, tenta até ensinar ao jornalista como perguntar.
Da redação
