
A participação do senador Flávio Bolsonaro em entrevista à TV Globo nesta sexta-feira (28) chamou atenção nas redes sociais por um detalhe que foi além de suas respostas: anotações aparentemente feitas na palma de uma das mãos.
Durante parte da entrevista, internautas observaram que o senador mantinha a mão esquerda apoiada sobre a mesa. Em determinado momento, com a movimentação das mãos, as anotações ficaram visíveis e passaram a ser comentadas nas redes.
A estudante de Fonoaudiologia e especialista em comunicação e oratória Kátia Kaline Pinheiro publicou uma análise sobre o desempenho do senador. Segundo ela, Flávio apresentou articulação travada, muita tensão e pouca gesticulação, levantando a hipótese de que a preocupação em esconder a “cola” escrita na mão possa ter influenciado seus movimentos.
Kátia também questionou por que o senador teria recorrido à própria mão para registrar informações quando poderia utilizar anotações convencionais, avaliando que o episódio acabou transmitindo certa perda de espontaneidade e credibilidade.
No conteúdo das respostas, a especialista avaliou que Flávio dialogou melhor com o público já identificado com a direita, mas teve dificuldade para construir argumentos direcionados aos eleitores que estão fora desse campo político. Segundo sua leitura, algumas respostas também tangenciaram as perguntas, com tentativa de transferir responsabilidades para terceiros.
Por outro lado, Kátia reconheceu que o senador conseguiu sair bem de algumas situações, demonstrando preparação prévia e habilidade para responder a questionamentos mais difíceis. Também classificou algumas de suas propostas como genéricas e afirmou que gostaria de vê-lo enfrentando um debate.
O episódio da “colinha”, embora seja apenas um detalhe dentro de uma entrevista mais ampla, ganhou repercussão porque, na política, a comunicação não termina no que é dito. Gestos, postura, segurança e espontaneidade também interferem diretamente na percepção do eleitor.