No ano passado, a arrecadação total das receitas federais fechou em pouco mais de R$ 2,31 trilhões, conforme divulgado nesta terça-feira (23) pelo Ministério da Fazenda. Esse montante registrou uma queda de 0,12% em comparação a 2022, ajustada pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em dezembro de 2023, a arrecadação totalizou R$ 232,22 bilhões, indicando um crescimento real de 5,15% em relação a dezembro de 2022, descontando o IPCA. No que diz respeito às receitas administradas pela Receita Federal, a arrecadação foi de R$ 225,1 bilhões em dezembro de 2023, representando um aumento real, considerando o IPCA, de 5,48%. No acumulado de janeiro a dezembro de 2023, a arrecadação atingiu R$ 2,204 trilhões, com um aumento real de 1,02% pelo IPCA. O Ministério destacou que o resultado da arrecadação foi influenciado por alterações na legislação tributária e por pagamentos atípicos, especialmente relacionados ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), tanto em 2022 quanto em 2023. Ao desconsiderar os fatores não recorrentes, o ministério ressaltou que haveria um crescimento real de 3,05% na arrecadação no período acumulado e um aumento real de 4,54% na arrecadação do mês de dezembro. Principais fatores que contribuíram para o resultado de 2023 incluem o desempenho de indicadores macroeconômicos, como produção industrial, massa salarial, valor em dólar das importações e venda de bens e serviços. A arrecadação da Receita Previdenciária registrou um crescimento real de 5%, enquanto a arrecadação do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte Capital (IRRF) teve um aumento real de 21,60%, especialmente nos itens títulos e fundos de renda fixa. Destaques apontados pela Receita Federal incluem o IRRF-Rendimentos de Capital, com arrecadação de R$ 25,2 bilhões em dezembro, resultando em crescimento real de 21,57%. Outros pontos de destaque foram a arrecadação do PIS/Pasep e da Cofins, que fechou o mês de dezembro em R$ 39,6 bilhões, com crescimento real de 12,15%. A Receita Previdenciária alcançou uma arrecadação de R$ 79 bilhões, representando um crescimento real de 2,92%.
Governo arrecada R$ 2,31 trilhões em receitas federais em 2023
Haddad: isenção do IR para quem ganha até dois mínimos sai neste mês
Hoje (23), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que está estudando a revisão da tabela de isenção do Imposto de Renda para aqueles que recebem até dois salários mínimos. A nova tabela será ajustada ao novo valor do salário mínimo, que foi atualizado de R$ 1.320 para R$ 1.412. O anúncio dessa alteração está previsto para ocorrer até o final deste mês. O ministro, ao chegar ao ministério, onde se dirigiu aos jornalistas, comentou: “Até o fim do mês, a gente vai ter essa conta. Esse mês ainda a gente vai ter a conta, tá bom?” Anteriormente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também abordou o tema na rede social X, afirmando que cumprirá a promessa de governo de assegurar a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Ele declarou: “As pessoas que ganham até 2 salários mínimos não vão pagar Imposto de Renda. Nós vamos fazer o que prometemos.” Segundo dados da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional), sem a revisão, aqueles que recebem mais de dois salários voltarão a ser tributados, pois a faixa de isenção permanece inalterada na tabela, fixada em R$ 2.112. Desconto automático Além disso, um desconto automático de R$ 528 foi aplicado ao salário, resultando, na prática, em uma faixa de isenção de R$ 2.640, equivalente a dois salários mínimos em 2023. Questionado sobre a possibilidade de um acordo para revogar a medida provisória (MP) que promove a reoneração da folha de pagamentos em alguns setores da economia, Haddad evitou comentar. A medida, editada no final do ano passado, prevê a reoneração gradual de 17 setores que anteriormente se beneficiavam de descontos na contribuição para a Previdência Social.
Atividade econômica tem alta de 0,01 em novembro
A atividade econômica brasileira apresentou um leve aumento de 0,01% em novembro do ano passado, após registrar três meses consecutivos de retração, de acordo com os dados divulgados hoje (19) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) demonstrou um crescimento de 2,19% na comparação com novembro de 2022. Com esse desempenho, o índice atingiu 144,84 pontos e, na série dessazonalizada, ficou em 146,24 pontos. O IBC-Br é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), sendo uma ferramenta para avaliar a evolução da atividade econômica brasileira. Além disso, auxilia o BC nas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente estabelecida em 11,75%. Juros em queda O Banco Central já indicou a intenção de manter o corte nos juros em 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões. O IBC-Br, que engloba informações sobre o nível de atividade nos setores da indústria, comércio, serviços, agropecuária e volume de impostos, registrou uma variação positiva de 2,40% na comparação com o período entre setembro e novembro de 2022, conforme informado pelo BC.
Lula: descontinuidade de obras é “uma das desgraças” que afetaram país
Nesta sexta-feira (19), durante sua visita a empreendimentos retomados pelo governo federal no Nordeste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a descontinuidade de obras como “uma das desgraças do nosso país”. Ontem (19), em Salvador, ele assinou um acordo de parceria para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia. Em seguida, esteve em Pernambuco para participar das cerimônias de retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima. Atualmente no Recife, o presidente assinou o termo de compromisso para a construção de uma Escola de Sargentos. A agenda presidencial inclui ainda a assinatura do decreto que cria o Campus Avançado do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em Fortaleza (CE). Descontinuidade de obras Durante a cerimônia de assinatura do termo de compromisso para a construção da Escola de Sargentos, Lula destacou que “uma das desgraças do nosso país é a descontinuidade das obras públicas feitas nas prefeituras, nos estados e no governo federal”. Ele acrescentou, dizendo que “basta mudar de governo para que as obras sejam paralisadas, porque cada governante quer criar a sua marca e deixar o seu legado pessoal”. Lula relembrou que, ao iniciar seu terceiro mandato presidencial, deparou-se com mais de 10 mil obras paradas. “Estou inaugurando casas que comecei a levantar em 2010, e que ficaram paralisadas”, enfatizou. Abreu e Lima O presidente da República referiu-se ao caso da Refinaria Abreu e Lima, onde esteve presente ontem, destacando que, quando concluída, a refinaria terá a capacidade de refinar 260 mil barris de petróleo por dia. Ele enfatizou que isso resultará em um aumento de R$ 100 bilhões no faturamento anual da Petrobras, com o estado de Pernambuco recebendo uma participação de R$ 8 bilhões. Lula afirmou que a retomada da refinaria, anunciada no dia anterior, envolverá um investimento de R$ 8,6 bilhões. Essa obra será parte do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê investimentos totais de R$ 46,8 bilhões em Pernambuco. Deste montante, R$ 18,2 bilhões serão destinados a projetos realizados exclusivamente no estado, enquanto R$ 28,6 bilhões beneficiarão projetos que também impactam outros estados. Escola de Sargentos Sobre a nova escola de formação de sargentos, Lula explicou que esta iniciativa “representa muito bem o Brasil que queremos e estamos construindo.” Ele destacou que o projeto envolve praticamente a criação de uma nova cidade no município de Abreu e Lima, com capacidade para abrigar 2,2 mil alunos e 1,9 mil militares, instrutores e responsáveis pela operação do campus. O objetivo é reunir em um único local as atividades atualmente distribuídas em 19 organizações militares de todo o Brasil. Quando concluído, o empreendimento receberá sargentos em formação de diversas partes do país. Lula ressaltou que a nova escola do Exército será uma das maiores, contando com investimentos superiores a R$ 2 bilhões. Ele enfatizou que esse empreendimento tem o potencial de transformar as vidas das pessoas na região, gerando mais de 11 mil empregos diretos e 17 mil empregos indiretos apenas durante a fase de construção. No entanto, ele destacou que isso é apenas o começo. Movimento reverso Lula acrescentou que a economia local passará por transformações significativas. “Novos negócios surgirão para atender a população de alunos, instrutores e familiares que residirão na escola. Anteriormente, os pernambucanos e outros nordestinos que buscavam uma carreira militar precisavam se deslocar para o Sul ou Sudeste para receber sua formação. Com a nova escola, veremos um movimento reverso, com brasileiros de todos os estados impulsionando a economia e enriquecendo ainda mais a diversidade cultural”, afirmou. De acordo com o Palácio do Planalto, este é o maior projeto do Exército desde a construção da Academia Militar das Agulhas Negras, na década de 1940, na cidade de Resende, no estado do Rio de Janeiro. O projeto reunirá 16 estruturas de ensino que atualmente formam sargentos de carreira da força, na Região Metropolitana do Recife.
Sugestões sobre regras para pleito municipal podem ser feitas até hoje
O prazo para o envio de sugestões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as regras que regerão as eleições municipais de outubro encerra nesta sexta-feira (19). Os ministros da corte votarão em resoluções eleitorais para regular um total de 10 temas em consulta. Entre os tópicos discutidos, destaca-se a regulamentação do uso de inteligência artificial durante as eleições. O objetivo é prevenir a disseminação de manipulações, como montagens de imagens e vozes geradas por aplicativos de inteligência artificial, que poderiam distorcer declarações falsas de candidatos e autoridades envolvidas no processo eleitoral. No site do TSE, os interessados podem acessar a minuta da resolução sobre propaganda eleitoral, que abrange o uso de inteligência artificial, bem como os outros nove temas, incluindo propaganda eleitoral, pesquisas eleitorais, prestação de contas, auditoria do processo eleitoral e ilícitos eleitorais, entre outros. Qualquer pessoa física ou jurídica tem a oportunidade de contribuir com sugestões sobre as regras eleitorais junto ao TSE, utilizando o formulário eletrônico disponível. Após a coleta das sugestões, a corte eleitoral realizará audiências públicas para apresentar e debater possíveis modificações nas minutas de resolução. Audiências públicas A ministra Cármen Lúcia, relatora das resoluções sobre as regras eleitorais, comandará as audiências públicas na sede do TSE em Brasília, entre os dias 23 e 25 de janeiro. A transmissão ao vivo desses eventos estará disponível no canal do tribunal no YouTube. As pessoas ou instituições que enviaram sugestões podem solicitar o uso da palavra durante as contribuições, podendo participar presencialmente ou virtualmente. A lista de inscrições deferidas será divulgada no Portal do TSE em 22 de janeiro de 2024. Todas as informações referentes às minutas das resoluções eleitorais e suas audiências públicas estão disponíveis no portal do TSE. A data das eleições municipais está agendada para 6 de outubro, com a possibilidade de um segundo turno em 27 de outubro.
G20 Social será marca da gestão do Brasil à frente do grupo
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, anunciou que, pela primeira vez sob a presidência do Brasil, o G20 terá uma agenda internacional social. Essa iniciativa visa permitir que a sociedade civil organizada de cada país integrante do grupo, composto pelas maiores economias do mundo, juntamente com a União Europeia e a União Africana, discuta temas de interesse coletivo. O Brasil assumiu a presidência do G20 no mês passado, permanecendo nessa posição por um ano. Macêdo compartilhou a novidade durante uma entrevista ao programa de rádio “Bom Dia, Ministro”, produzido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação. Ele detalhou que o evento, denominado G20 Social, ocorrerá dois dias antes da Cúpula do G20, programada para acontecer no Rio de Janeiro em novembro de 2024. Ao longo do ano, serão realizados debates em cidades por todo o país para preparar a participação da sociedade e para que esta possa expressar sua perspectiva sobre as economias globais, a pauta do G20 e os temas que merecem discussão na cúpula. O G20 Social proporcionará espaços de participação para diferentes vozes, lutas e reivindicações, com 50 reuniões agendadas ao longo do próximo ano em 12 grupos de engajamento. O objetivo é garantir uma representação abrangente e inclusiva das preocupações da população brasileira e das sociedades das 20 maiores economias do mundo. Participação popular No programa “Bom Dia, Ministro”, o ministro Márcio Macêdo destacou que desde o início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi estabelecida a missão de reconstruir a participação popular no governo federal para a discussão de políticas públicas. Ele ressaltou o papel da Secretaria-Geral da Presidência como o endereço oficial para o povo brasileiro no Palácio do Planalto, afirmando que estão em curso esforços para revitalizar integralmente o processo de institucionalização da participação social. Juventude Márcio Macêdo, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, destacou entre as políticas sociais implementadas pelo governo federal a retomada dos diálogos sobre a juventude. Essa iniciativa envolve a criação de um conselho interministerial composto por 17 ministérios, além da Secretaria Nacional de Juventude, subordinada à Secretaria-Geral. Este conselho aborda temas relacionados à faixa etária que engloba aproximadamente 45 milhões de jovens. O ministro adiantou que, ao longo deste primeiro ano, o trabalho conjunto resultará em um pacote integrado de ações públicas direcionadas à juventude. O lançamento desse conjunto de medidas pelo governo federal está previsto para o final de janeiro de 2024. Conferências e conselhos O ministro Márcio Macêdo informou aos ouvintes que, neste ano, o governo federal retomou o apoio e organizou a realização de conferências nacionais em todo o país, após as etapas municipais e estaduais. Ele enfatizou a importância desses eventos como espaços qualificados de participação social no debate e construção de políticas públicas. O ministro fez uma comparação entre os dois últimos governos e o primeiro ano do terceiro mandato do presidente Lula, destacando o aumento significativo no número de conferências realizadas. “Nesse intervalo de seis anos, foram realizadas 11 conferências. E este ano, nós realizamos cinco e já temos 19 programadas para o próximo ano. Nós queremos chegar até o final do governo com todos os temas fazendo suas conferências, tendo espaço para o diálogo do povo brasileiro com o governo.” Ao fazer um balanço da gestão, Márcio Macêdo salientou que todos os conselhos desmontados ou com atividades suspensas estão sendo retomados gradualmente. Ele mencionou a criação do Conselho de Participação Social, composto por 68 organizações da sociedade civil com atuação nacional, coordenado pela Secretaria-Geral, que atua como um órgão de assessoramento da Presidência da República. O conselho, de natureza plural, realiza reuniões que abordam a conjuntura e os grandes temas do país, produzindo relatórios para orientar as decisões do presidente Lula com base nas percepções da sociedade civil. Márcio Macêdo também destacou a criação do Sistema de Participação Social Interministerial, que impulsionou a designação de assessorias de participação social em todos os ministérios, coordenadas pela Secretaria-Geral. Essa iniciativa visa proporcionar ao público o acesso oficial a todos os Ministérios da Esplanada. Alimentação O ministro Márcio Macêdo destacou a reativação de conselhos, incluindo o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que foi desativado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2019. O Conselho, agora em pleno funcionamento, tem como principal desafio contribuir para retirar os brasileiros novamente do Mapa da Fome. Um resultado concreto dessa retomada foi a realização da 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional neste mês, um encontro que não ocorria desde 2015. O ministro ressaltou a urgência do desafio, destacando a situação alimentar do país: “Este ano, encontramos um país com 33 milhões de pessoas que passavam fome e com 125 milhões de pessoas tendo algum tipo de deficiência alimentar, sem ingerir pelo menos uma das três refeições. Nosso desafio é tirar o Brasil novamente do Mapa da fome, e a participação social é fundamental nisso.” A retomada das atividades do Consea é parte dos esforços do governo para enfrentar questões críticas relacionadas à segurança alimentar e nutricional no país. Democracia Nessa intensificação dos diálogos, com a retomada dos conselhos e das conferências nacionais, o ministro enfatiza a importância de respeitar a autonomia dos movimentos sociais, reconhecendo que esses grupos podem ter posições divergentes do governo, e que a discussão é uma parte fundamental do processo democrático. “Compreendemos que são trincheiras diferentes. Nós temos a obrigação de fazer as entregas que o povo brasileiro precisa e governar para todos. E o movimento social tem um papel de debater, de politizar, reivindicar, de cobrar. Mas, nós temos o mesmo lado da história, em defesa da democracia, em defesa da Justiça social.” Para o próximo ano, o ministro planeja aprimorar ainda mais a participação social nas instâncias do governo, incluindo a educação popular, com o apoio do Ministério da Educação. Esse esforço visa fortalecer o engajamento da sociedade civil na construção de políticas públicas e na busca de soluções para os desafios enfrentados pelo país.[ PPA Participativo Na conversa ao vivo com radialistas, o ministro detalhou a ampla participação
Campos Neto: projeção de corte de 0,5 ponto na Selic é para 2 reuniões
Nesta quinta-feira (21), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a projeção do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir os juros em 0,5 ponto percentual se aplica apenas às próximas duas reuniões do colegiado, não indicando cortes posteriores. As reuniões estão agendadas para janeiro e março do próximo ano, com a seguinte em maio. A taxa Selic, atualmente em 11,75% ao ano, passou por quatro reduções consecutivas de 0,5 ponto percentual, e no corte mais recente, o Copom comunicou a intenção de manter o ritmo de redução “pelas próximas reuniões”, sem especificar a duração do ciclo de baixa. Campos Neto esclareceu que o Copom optou por um guidance curto, cobrindo apenas as próximas duas reuniões, alinhado com as incertezas e a visibilidade da política monetária. Ele destacou que essa abordagem visa conduzir a política com o mínimo de custo e ruído possível, embora tenha ressalvado que nada é garantido, e a indicação de cortes pode ser reavaliada a cada reunião. Quanto à possível flexibilização da meta fiscal do governo e seu impacto no ritmo de queda dos juros, Campos Neto reconheceu a relação, mas enfatizou que não é mecânica. Ele mencionou outros fatores, como a aprovação de reformas, incluindo a tributária. O presidente do BC afirmou que, se o fiscal piorar um pouco, mas o governo continuar implementando reformas, o mercado compreende que uma compensa a outra, não afetando significativamente as variáveis em seu arcabouço de decisão. Campos Neto elogiou a aprovação da reforma tributária e destacou que a agenda reformista compensou a pressão por mais gastos, mantendo as expectativas para a inflação estáveis. O Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo BC mais cedo revelou um leve aumento na expectativa de crescimento do PIB para este ano, de 2,9% para 3%, e uma redução significativa na probabilidade de a inflação de 2023 ultrapassar a meta, de 67% para 17%.
Banco Central estima que inflação feche o ano em 4,6%
O relatório de inflação do terceiro trimestre, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (21), indica que a inflação do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deverá fechar o ano em 4,6%. Além disso, a probabilidade de o índice ultrapassar a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este ano, que é de 3,25%, com uma variação entre 1,75% e 4,75%, diminuiu de 67% para 17%. O documento explica que a redução significativa na probabilidade de ultrapassagem do limite superior da meta para 2023 (4,75%) ocorreu devido à queda na projeção para esse ano, de 5,0% para 4,6%, e à redução da incerteza associada a um horizonte mais curto de projeção. O relatório também menciona a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros para 11,75% ao ano, destacando que essa medida é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante, incluindo os anos de 2024 e 2025. O BC antecipa uma redução adicional na taxa de juros nas próximas reuniões, seguindo o ritmo necessário para manter a política monetária contracionista e apoiar o processo desinflacionário. O relatório destaca que o ambiente externo permanece volátil, com movimentos expressivos das taxas de juros nos Estados Unidos e núcleos de inflação elevados em diversos países. O BC ressalta a resiliência da atividade global, embora o crescimento global ainda esteja abaixo de seu potencial. No cenário doméstico, o relatório prevê um arrefecimento no crescimento no terceiro trimestre, com um aumento de 0,1%. Apesar disso, destaca-se o crescimento ligeiramente maior que o esperado no consumo das famílias, especialmente em serviços e bens de consumo não duráveis. Por outro lado, os investimentos têm apresentado queda nos últimos quatro trimestres. A balança comercial deve registrar um saldo recorde em 2023, contribuindo para um déficit em transações correntes moderado. PIB O banco também ajustou sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma dos bens e serviços produzidos no país. A projeção para este ano foi revisada para cima, passando de 2,9% para 3%. Já a previsão para 2024 teve uma ligeira redução, indo de 1,8% para 1,7%. O relatório destaca que o cenário prospectivo inclui um aumento no ritmo de crescimento ao longo do próximo ano, com uma moderação no consumo das famílias, retomada dos investimentos e a manutenção de um balanço favorável nas contas externas.
Brasil salta duas posições e se torna a nona economia do mundo em 2023
Com previsão de crescimento de 3,1% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta terça-feira (19) que o Brasil saltará duas posições e se tornará a nona economia do mundo em 2023. Segundo a instituição, o país deverá encerrar o ano com PIB nominal de US$ 2,13 trilhões, ultrapassando o Canadá, que possui um PIB estimado em US$ 2,12 trilhões. No ano passado, o Brasil ocupava a 11ª posição. Segundo o FMI, até 2026, o Brasil pode subir uma posição e tornar-se a oitava maior economia do planeta, com PIB estimado em US$ 2,476 trilhões. As estimativas foram divulgadas com base no relatório Perspectiva Econômica Mundial, lançado em outubro. Na ocasião, o FMI estimou crescimento de 3,1% para o PIB brasileiro neste ano, contra a estimativa de 2,1% no relatório anterior. Segundo o FMI, os Estados Unidos, a China e a Alemanha continuaram sendo as maiores economias do mundo neste ano. O órgão projeta que a economia global desacelerará neste ano, crescendo 3%, contra 3,5% em 2022. Para 2024, o FMI estima uma expansão global de 2,9%. Para o Brasil, o FMI projeta um crescimento de 1,5% no próximo ano. A projeção é mais baixa que a da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que prevê uma expansão de 1,8% para a economia brasileira em 2024. O Ministério da Fazenda projeta um crescimento de 2,2%. Confira o ranking das dez maiores economias do mundo em 2023, segundo projeção do FMI: 1. Estados Unidos – US$ 26,95 trilhões 2. China – US$ 17,7 trilhões 3- Alemanha – US$ 4,43 trilhões 4. Japão – US$ 4,23 trilhões 5. Índia – US$ 3,73 trilhões 6. Reino Unido – US$ 3,33 trilhões 7. França – US$ 3,05 trilhões 8. Itália – US$ 2,19 trilhões 9. Brasil – US$ 2,13 trilhões 10. Canadá – US$ 2,12 trilhões
Governo estuda plano de combate à violência contra mulher na internet
O governo federal planeja apresentar um plano para combater a violência contra as mulheres nas redes sociais, conforme revelado pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante sua participação no programa “Conversa com o Presidente” ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira (19). Janja expressou a necessidade de uma abordagem mais robusta para abordar o problema, especialmente após o recente hackeamento de seu perfil na plataforma X (antigo Twitter), que resultou na publicação de mensagens ofensivas e xingamentos por invasores. A primeira-dama enfatizou a importância de regulamentar as atividades das empresas proprietárias de redes sociais no Brasil, destacando a necessidade de discutir a monetização dessas plataformas. Ela ressaltou que, atualmente, as redes sociais operam acima de regras estabelecidas e do mercado, e é crucial abordar essa questão. Janja argumentou que ao longo da história, a sociedade aprendeu a criar regras de convivência, e com a internet, não deveria ser diferente. Ela mencionou que o pedido de suspensão de sua conta levou uma hora e meia para ser atendido pelo X, evidenciando a dificuldade enfrentada mesmo sendo uma figura pública. Janja também expressou sua intenção de processar a empresa responsável pelo Twitter, ponderando sobre a jurisdição apropriada, considerando a questão global do problema. A iniciativa proposta pela primeira-dama visa responsabilizar e regulamentar as plataformas de redes sociais, reconhecendo que o problema não é exclusivo do Brasil, mas é de natureza global. Misoginia Janja também abordou o caráter misógino e violento do ataque, destacando que um dos suspeitos do crime tem apenas 17 anos. Ela ressaltou a triste realidade de as mulheres se acostumarem a receber ódio nas redes sociais, mas salientou que o ocorrido na semana passada foi especialmente invasivo. Janja enfatizou a importância de investigar não apenas o jovem envolvido, buscando reeducá-lo para uma convivência mais solidária e empática, mas também de identificar os adultos que podem estar influenciando esses adolescentes, alimentando o ódio nas redes. O presidente Lula expressou sua indignação diante da situação, ressaltando que as pessoas estão se tornando cada vez mais desumanas. Ele reconheceu a gravidade da violência contra as meninas e destacou a necessidade de tratar esse fenômeno como uma questão criminosa. Lula reconheceu os desafios de regulamentar as redes sociais sem comprometer a liberdade de expressão, referindo-se à experiência da União Europeia e observando o que está acontecendo na China e nos Estados Unidos. Ele alertou para o fato de que a internet amplificou o preconceito, transformando o preconceito pessoal das pessoas em algo disseminado para milhões de indivíduos.