Veneziano e Nabor: de aliados a inimigos ferrenhos na disputa pelo Senado

Eleição acirra confronto político entre antigos parceiros e envolve familiares que presidem a Câmara dos Deputados e o TCU
Da Redação, O Norte
A disputa por uma das duas vagas da Paraíba no Senado em 2026 colocou em confronto grupos políticos que compartilharam partidos, palanques e campanhas. De um lado, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara, Hugo Motta. Do outro, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), candidato à reeleição e irmão de Vital do Rêgo, presidente do Tribunal de Contas da União. A projeção nacional dos familiares e a disputa pelo apoio de Lula ampliaram a repercussão do embate para além do estado.
O histórico registra cooperação. Em 2013, os quatro participaram do projeto “Pensando a Paraíba”, do PMDB, que preparava a candidatura de Veneziano ao governo estadual. Após sua desistência, Vitalzinho assumiu a disputa em 2014 e recebeu apoio expresso de Hugo, que o apresentou como colega de partido e parceiro de trabalho em Brasília. A aliança atravessou mudanças partidárias: em 2018, Hugo e Nabor, então no PRB, participaram da organização da campanha de Veneziano, pelo PSB, ao Senado. Em 2022, porém, seguiram caminhos diferentes: pai e filho apoiaram João Azevêdo para governador e Efraim Filho para senador, enquanto Veneziano disputou o governo em aliança com Ricardo Coutinho.
A eleição atual intensificou o afastamento. Em agosto, Hugo acusou Veneziano de usar a influência do irmão no TCU para pressionar prefeitos por apoio eleitoral. O senador negou e desafiou o deputado a apresentar um gestor que comprovasse a acusação. Não foi possível confirmar a suposta pressão nas fontes consultadas para esta reportagem. O conflito convive com uma convergência: Hugo e Nabor declararam apoio a Lula, que também apoia Veneziano. Os antigos parceiros disputam votos e lideranças em um cenário no qual a preferência presidencial comum não impede o confronto estadual.



