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Trecho da Ponte do Futuro é embargado por falhas de segurança após morte de operário

Ponte do Futuro. (foto: Francisco França/Governo da Paraíba)

Por Redação · Publicada em

Documentos do DER previam supervisão permanente; consórcio diz apurar ruptura de estrutura provisória

Auditores do Ministério do Trabalho embargaram o trecho da Ponte do Futuro entre Cabedelo e a Ilha Stuart, na Paraíba, após identificarem irregularidades de segurança. A fiscalização ocorreu depois do acidente que matou Manoel Oliveira da Silva, 43, e deixou dois trabalhadores feridos em 21 de setembro. Segundo o Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB), o documento foi entregue aos responsáveis no dia 23. Foram constatadas ausência de proteção nas bordas, falta de linha de vida e irregularidades em andaimes. A medida não alcança todo o complexo rodoviário, que ligará Cabedelo, Santa Rita e Lucena.

Documentos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PB) previam acompanhamento presencial e permanente da execução, avaliação de instalações e montagens e verificação das exigências de segurança do trabalho. A licitação desses serviços tinha orçamento estimado em R$ 14,8 milhões. O Diário Oficial registra um contrato específico de supervisão, o PJ-030/2025. A existência dessas obrigações torna relevante verificar quais inspeções foram realizadas e se houve alertas anteriores ao acidente. Os documentos consultados não permitem estabelecer como essas tarefas foram cumpridas. A obra foi adjudicada por R$ 465,5 milhões ao Consórcio Jampa, formado por A. Gaspar e Arteleste. Um extrato de janeiro de 2026 registra reajuste, mas não apresenta o valor atualizado.

Em nota divulgada após o acidente, o consórcio afirmou que houve ruptura de uma estrutura provisória, sem danos à ponte definitiva. Disse ter iniciado apuração técnica e prestar assistência à família. O Crea-PB informou que as Anotações de Responsabilidade Técnica estavam regularizadas, no âmbito de sua fiscalização profissional. Essa informação não equivale à comprovação de condições adequadas de segurança no canteiro. O MPT-PB investiga as causas do acidente. Ainda não há, nas fontes consultadas, conclusão que permita atribuir responsabilidade individual pela morte.