A Paraíba está ficando mais velha em uma velocidade que muda o tamanho do desafio para as próximas décadas. No Censo de 2022, o estado tinha mais de 615 mil pessoas com 60 anos ou mais, cerca de 15,5% da população. Em 1991, eram aproximadamente 292 mil. Mais importante que o aumento absoluto é a mudança na composição da população: enquanto cresce o número de idosos, diminui proporcionalmente a presença de crianças e jovens. As projeções mais recentes do IBGE, que alcançam 2070 e incorporam os dados do Censo de 2022, indicam que o envelhecimento continuará avançando e poderá transformar profundamente a demanda por saúde, assistência social, moradia, mobilidade e cuidados de longa duração. No Brasil, a população de 60 anos ou mais deverá representar cerca de 37,8% dos habitantes em 2070, e a Paraíba acompanha essa mesma transformação demográfica.

O problema é que envelhecer não significa apenas viver mais. Significa também aumentar a quantidade de pessoas que, principalmente nas idades mais avançadas, podem precisar de acompanhamento contínuo, reabilitação, assistência domiciliar, cuidadores ou acolhimento institucional. A estrutura existente na Paraíba já contempla serviços de atenção domiciliar e, desde 2024, a Secretaria de Estado da Saúde passou a oferecer internação domiciliar multiprofissional para usuários elegíveis. Na assistência social, o Plano Estadual 2024–2027 reconhece a necessidade de qualificar e ampliar a rede socioassistencial. O mesmo documento mostra, porém, como a capacidade institucional é localizada: entre as unidades de acolhimento para idosos relacionadas no cadastro estadual aparecem instituições com capacidades de 15, 20, 21, 25, 30 ou 66 vagas. Esses serviços são importantes, mas o crescimento da população idosa coloca outra escala de necessidade. O desafio estará menos em criar programas isolados e mais em construir uma rede capaz de acompanhar milhares de pessoas antes que elas precisem chegar a uma instituição de longa permanência.

A pergunta que a Paraíba precisa enfrentar, portanto, não é apenas quantos idosos terá no futuro, mas quem vai cuidar deles e onde esse cuidado será oferecido. Uma população mais envelhecida exigirá atenção básica preparada para doenças crônicas, atendimento domiciliar, fisioterapia e reabilitação, profissionais capacitados em geriatria e gerontologia, apoio às famílias e aos cuidadores, Centros-Dia, instituições de longa permanência adequadas e cidades mais acessíveis. Essa preparação se torna ainda mais importante porque o próprio IBGE ressalta que suas projeções devem servir ao planejamento e ao monitoramento de políticas públicas. A geração que chegará aos 70, 80 e 90 anos nas próximas décadas já está vivendo hoje na Paraíba.

O envelhecimento deixou de ser uma previsão distante. A questão agora é saber se a expansão dos serviços públicos e comunitários conseguirá acompanhar a velocidade dessa transformação.

Da Redação, O Norte.